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Entrevista: “Eco-condução promove adopção de hábitos de condução mais eficientes”
No próximo dia 24 de Maio, a ACAP – Associação Automóvel de Portugal -, vai realizar um seminário comemorativo do seu centenário, que terá como tema principal o Projecto Eco-Condução. Este é um projecto pioneiro a nível nacional, que procura promover a adopção de hábitos de condução mais eficientes e seguros, com vista à redução dos consumos de combustível e emissões de poluentes e gases com efeitos de estufa, contribuindo também para uma maior segurança rodoviária.
O blogue Gestão de Frotas falou com a Occam, empresa de consultoria e formação para os transportes, energia e ambiente, que promoveu este projecto, para saber mais sobre a Eco-condução.
Em que consiste este projecto?
O Projecto Eco-condução Portugal é um projecto pioneiro de âmbito nacional que tem como objectivo promover a adopção de hábitos de condução mais eficientes e seguros, com vista à redução dos consumos de combustível e emissão de poluentes e gases com efeito de estufa, promovendo também uma maior segurança rodoviária.
A 2ª fase do projecto, a Campanha Eco-Condutores à Prova, que está agora a terminar, teve como objectivo acompanhar 20 condutores e promover a melhoria dos seus desempenhos, através do seu acompanhamento ao longo de 8 meses e compreender de que forma o seu estilo de condução influencia o seu desempenho em termos energéticos e ambientais.
É urgente, em Portugal, adoptar as medidas da eco-condução, tanto em termos económicos como ambientalistas?
Actualmente, mais de 20% da energia final consumida na União Europeia é da responsabilidade do sector dos transportes, sendo que em Portugal o modo rodoviário representa mais de 80% de toda a mobilidade rodoviária gerada, o que corresponde a cerca de 23% do consumo energético total nacional (e a 24% da emissão total de gases com efeito de estufa).
Não existe uma solução única para a sustentabilidade energética e ambiental do sector dos transportes. Podemos resumir a tipologia de políticas e medidas em três áreas de actuação:
• Desenvolvimento tecnológico: através do incentivo à inovação ao nível dos sistemas de propulsão alternativos, melhoria da eficiência energética dos veículos e diversificação das formas de energia final utilizada;
• Gestão da mobilidade: potenciando políticas públicas com actuação tanto do lado da oferta de serviços de mobilidade de maior qualidade, como do lado da procura;
• Mudança comportamental: promovendo a mudança de atitudes e o aumento da consciência ambiental dos cidadãos.
Neste sentido, a eco-condução revela-se como uma excelente oportunidade para a promoção da eficiência energética. A mudança de comportamentos é um processo moroso mas com grandes retornos a médio/longo prazo.
Como foi recebido este projecto, em Portugal? Os consumidores e as empresas mostraram-se interessados por esta iniciativa?
O projecto Eco-condução teve início em 2008, por ocasião do Salão Internacional Automóvel de Lisboa, e já conta com 2 fases. Ao longo do projecto temos tido diversos contactos (tanto de particulares como profissionais) no sentido de participarem na campanha. Mas mais importante têm sido os constantes pedidos de informação sobre este tema. Conseguimos desenvolver um conjunto de conteúdos informativos que nunca haviam sido produzidos em Portugal e de facto este conceito é cada vez mais reconhecido como uma boa oportunidade de redução de custos e impactes ambientais negativos.
Qual a importância da eco-condução no contexto empresarial? A nível da gestão de frotas, a eco-condução pode ajudar a reduzir os consumos de forma efectiva?
Na grande maioria dos casos, os elevados custos inerentes à gestão de uma frota de veículos – seja ela de pesados ou ligeiros – está directamente relacionada com o consumo de combustível, sendo que em muitos casos o seu peso na estrutura de custos ultrapassa os 30%.
As vantagens para as empresas são tanto ao nível da redução de custos, como do aumento da segurança rodoviária, para além de reforçar a responsabilidade social da organização, resultado da aposta na sustentabilidade ambiental dos seus processos. De facto, a promoção de boas práticas na condução pode resultar em poupanças de combustível que ultrapassem os 10%.
No entanto, não deveremos desconsiderar o investimento paralelo em outras soluções que poderão inclusivamente ampliar estes resultados, como por exemplo um sistema de recompensas associado aos desempenhos (financeiras ou simplesmente de reconhecimento de mérito).
A primeira fase do projecto Eco-condução Portugal consistiu no lançamento do mesmo no Salão Internacional do Automóvel, em 2008. A segunda fase teve como objectivo acompanhar 20 condutores e analisar o seu estilo de condução. Como se desenrolou esta fase? Provou-se que a Eco-condução é a solução para uma maior economia de combustível e redução da emissão de poluentes e gases com efeito de estufa?
O acompanhamento dos 20 condutores implicou a monitorização contínua dos seus veículos, através da instalação de um equipamento electrónico de monitorização em tempo-real (data logger). Os participantes foram então sujeitos a períodos distintos de estudo:
• 1ª fase: os condutores foram monitorizados sem terem tido qualquer tipo de formação em eco-condução; ao fim deste período foi-lhes ministrada uma acção de formação;
• 2ª fase: nos meses seguintes os condutores continuaram a ser monitorizados e acompanhados através de um reporting contínuo que comunicava os principais desvios nas suas prestações e recomendações para melhorar a sua eco-condução;
• 3ª fase: durante este período da campanha foi continuada a monitorização dos condutores, sendo que nesta fase já não lhes foi dado nenhum tipo de feedback quanto ao seu desempenho; o objectivo desta última fase foi o de avaliar até que ponto a eco-condução é um conceito adquirido.
Provou-se que a eco-condução tem um enorme potencial e que é um dos instrumentos que contribuem eficazmente para a eficiência energética e ambiental, mas nunca poderíamos considerá-la como a única… Não nos podemos esquecer que a diversificação de soluções é ela mesmo uma das soluções!
Relativamente a dados concretos… os resultados da campanha Eco-Condutores à Prova serão apresentados na Conferência “Indústria Automóvel: Contributo para uma mobilidade sustentável. O Projecto Eco-condução Portugal”, a realizar no próximo dia 24 de Maio no CCB.
Qual o balanço que faz desta campanha, agora que chega ao fim?
O balanço é bastante positivo, este projecto permitiu dar um grande passo na área da avaliação dos desempenhos de condutores. Foi de facto inovador nesse campo, o modelo desenvolvido para a avaliação dos condutores tem um enorme potencial de aplicações futuras. Adicionalmente, foi possível avaliar de forma analítica o potencial efectivo de redução de consumos.
Por fim, pese embora a campanha Eco-condutores à Prova tenha acompanhado apenas 20 condutores, o impacto do projecto foi bastante mais vasto. A campanha de comunicação permitiu desenvolver materiais de sensibilização e informação de modo a disseminar de forma alargada o conceito de eco-condução e os resultados do projecto, como por exemplo o website do projecto, a página Facebook, o vídeo institucional e o manual de eco-condução, o primeiro em Portugal exclusivamente dedicado a este tema.
8 dicas para uma condução mais segura
A média dos acidentes pode custar a uma empresa mais de 13 mil euros, segundo dados da organização norte-americana para a segurança rodoviária (NHTSA – National Highway Traffic Safety Administration). Quando o condutor fica ferido, a factura sobe até aos 60 mil euros, e até aos 404 mil se houver mortes envolvidas. As boas notícias, dizem os especialistas, é que a maioria dos acidentes rodoviários podem ser evitados.
Assim, a NHTSA desenvolveu, para o meio empresarial, os conselhos mais importantes para evitar acidentes na estrada. Conheça-os e aplique-os na sua empresa.
1. Envolvimento – Para aplicar uma efectiva política de segurança na sua empresa, é importante que tanto a administração como os gestores de frota se envolvam no cumprimento da mesma, dando o exemplo aos seus funcionários. Desta forma, os condutores compreendem a importância deste plano.
2. Política de segurança por escrito – É importante desenvolver uma política de segurança e passá-la por escrito, de forma a que todos os visados a conheçam e possuam uma cópia. O documento prova, assim, um acordo que visa o cumprimento da regras de segurança na estrada, e o bom comportamento ao volante, de modo a prevenir acidentes.
3. Contratos – A NHTSA defende que devem ser estabelecidos contratos quanto ao uso das viaturas da empresa. Por exemplo, se o condutor pode levar o carro da empresa para casa, ou se pode mantê-la ao fim-de-semana.
4. Relatórios de actividade – Os gestores de frota devem monitorizar o comportamento dos condutores, de forma a detectar os potenciais problemáticos. Através de sistemas de gestão de frota, que geram relatórios de velocidade, o gestor de frota sabe como se comportam os seus funcionários ao volante, e possui provas se necessitar de abordar algum deles quanto à sua atitude.
5. Investigação – Todos os acidentes devem ser reportados à polícia e investigados. Assim, podem ser apurados os responsáveis.
6. Manutenção e inspecção – Muitos acidentes podem ser prevenidos se o carro estiver em bom estado. É importante realizar check-ups periódicos às viaturas.
7. Incentivos e recompensas – Se o condutor souber que, mantendo um bom comportamento ao volante e prevenindo acidentes, for recompensado ou elogiado, irá adoptar uma condução mais segura.
8. Formação – Um sistema de formação contínua melhora significativamente o desempenho dos condutores, que assim aprendem formas de garantir uma condução mais segura. O projecto Eco-condução, a acontecer em Portugal, é disso um bom exemplo. Esta campanha motiva os condutores a adoptar um comportamento preventivo, e promove a redução de emissão de poluentes.
ACAP promove seminário sobre Eco-condução

A ACAP – Associação Automóvel de Portugal, vai realizar no próximo dia 24 de Maio, no Centro Cultural de Belém, um seminário comemorativo do seu centenário que terá como temas principais o Projecto Eco-Condução Portugal e o contributo da indústria automóvel para uma mobilidade sustentável.
Recorde-se que o Eco-Condução Portugal é um projecto pioneiro a nível nacional e que tem como objectivo promover a adopção de hábitos de condução mais eficientes e seguros, com vista à redução dos consumos de combustível e emissão de poluentes e gases com efeito de estufa, promovendo também uma maior segurança rodoviária.
A conferência irá contar com a presença do ministra do Ambiente e Ordenamento do Território, Dulce Pássaro, e de oradores como Tiago Farias (IST), José Serrano Gordo (presidente da BP Portugal), Diogo Resende (presidente da Ford Lusitana), Crisóstomo Teixeira (presidente do IMTT) e Sofia Taborda (Occam), que irá apresentar os resultados finais do projecto Eco-Condução.
in Transportes em Revista
Seis passos para reduzir a sinistralidade da sua frota
A sinistralidade pode afectar o lucro de uma empresa que dependa do desempenho da sua frota. A maioria dos sinistros ocorre por distracção ou mau comportamento ao volante por parte dos motoristas. Assim, apresentamos seis passos para reduzir o índice de sinistralidade da sua empresa, cujo denominador comum é educar os seus colaboradores.
1º Passo – Defina uma política de condução
Muitas vezes, os motoristas não têm o mesmo cuidado com os veículos da empresa que com os seus carros. É frequente exagerarem nas velocidades, nos arranques e nas travagens. Assim, não é para admirar que as empresas se deparem com facturas de combustível superiores ao volume de trabalho.
Para educarem os motoristas, os gestores de frota devem desenvolver uma política de condução, que todos os elementos da empresa devem respeitar. O documento deve visar questões como a proibição de consumo de drogas ou álcool, de uso de telemóvel – a não ser que os veículos tenham kit mãos-livres -, o seguro dos veículos, os comportamentos a adoptar em caso de cansaço e o número de clientes a visitar diariamente. O motorista deve assinar o documento e assim comprometer-se a respeitar a política de condução da empresa. Quando recrutar novos colaboradores, deve apresentar a política de condução no momento da contratação.
2º Passo – Avalie o efeito da política de condução
A partir do momento em que a política de condução é aplicada, o número de sinistros deve baixar. Para avaliar o efeito desta medida, registe o número de acidentes anterior à política de condução e faça relatórios regulares para avaliar o seu resultado ao longo do tempo.
3º Passo – Aproxime-se dos seus colaboradores
Atribua prémios aos que apresentem melhores resultados e aproxime-se dos condutores com mais acidentes sofridos para conhecer as suas razões. Por vezes, o stress pode prejudicar o trabalho dos seus colaboradores. Se notar casos de cansaço agravado num dos seus motoristas, dê-lhe um dia ou dois de férias.
Por outro lado, se verificar comportamentos abusivos, confronte os seus funcionários.
4º Passo – Adquira um sistema de gestão de frotas e localização GPS
Uma das melhores formas de medir o desempenho dos seus condutores e conhecer os motivos da sinistralidade, é aplicando sistemas de gestão de frotas e localização GPS, que lhe permitem extrair relatórios de velocidade, rotas, posições, entre outros. Esta é uma ferramenta essencial para melhorar os resultados da sua frota.
5º Passo – Avalie os relatórios do sistema de gestão de frotas
Há rotas que podem aumentar o risco de sinistralidade, devido ao piso ou ao trânsito. Outras há que, devido ao seu mau estado, provocam maior consumo de combustível. Optimize as suas rotas e avalie os resultados.
6º Passo – Promova cursos de eco-condução para os seus motoristas
Esta é uma das formas mais eficientes de ensinar a conduzir hoje em dia, com objectivos direccionados para redução de consumo e de sinistros. Os seus colaboradores também irão valorizar o facto de estar a investir na sua formação.
in Fleet News
Conheça mais formas para reduzir a sinistralidade da sua frota












